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domingo, 13 de março de 2011

Como evolui o conhecimento científico em relação à reprodução humana


Como evolui o conhecimento científico em relação à reprodução humana

Os conhecimentos que actualmente possuímos acerca dos processos reprodutivos são recentes, se considerarmos a história da humanidade.
Ao longo do tempo muitas foram as teorias que surgiram com o objectivo de explicar como ocorria a reprodução humana.
Hipócrates (460-377 a. C.) considerava que um novo ser era formado pela junção de sémen do homem e “matéria inerte” da mulher. Através de forças sobrenaturais surgia um feto que se alimentava da matéria inerte da fêmea, por exemplo, o sangue menstrual, sendo assim explicada a ausência de menstruação nas mulheres grávidas.
Aristóteles (384-322 a. C) defendia a mesma tese que Hipócrates mas acrescentava que o “espírito” do embrião tinha origem apenas no esperma masculino. Aristóteles também observou que o embrião (com forma amorfa) se formava progressivamente originando um ser complexo e diferenciado, através de um processo que denominou epigénese. No entanto, Aristóteles também observou que o coração se formava muito cedo no desenvolvimento embrionário. Assim sendo, propôs a teoria do pré-formismo: o animal (ou alguns dos seus órgãos) é pré-formado no início do desenvolvimento e limita-se a crescer, o coração formar-se-ia completamente no início do desenvolvimento e apenas aumentava de tamanho.
O desenvolvimento científico e tecnológico, que se ficou a dever em grande parte ao aparecimento do microscópio em 1590, permitiu observar com maior detalhe embriões e, desta forma, foi possível considerar outras hipóteses para explicar o processo reprodutivo.
Uma das teorias que surgiu foi a teoria ovista que defendia que o ser humano se encontrava em miniatura no óvulo, dentro do corpo da mulher. Esta teoria enfatizava o papel do sistema reprodutor feminino na reprodução. Os ovistas consideravam que o papel do espermatozóide estaria restrito à activação do óvulo feminino.
Com a primeira observação microscópica de espermatozóides no esperma humano tiveram início os debates acerca da sua função, embora os cientistas não os tenham considerado agentes que proporcionavam a concepção do novo ser vivo. No entanto, esta descoberta foi a base de uma nova teoria que contrapunha a previamente descrita.
Os animaculistas acreditavam que o embrião se encontrava miniaturizado no interior dos espermatozóides, aos quais chamavam “animáculos” (viam os espermatozóides como uma espécie de vermes). De acordo com esta teoria, a reprodução estava centrada no papel activo do homem, a função da mulher era, apenas, o fornecimento do “ninho” e do alimento necessário ao desenvolvimento do animáculo. Mesmo entre os animaculistas não havia consenso, uns acreditavam que o animáculo, quando no corpo feminino, se fixava numa matriz própria para o efeito não tendo qualquer importância o gâmeta feminino, outros defendiam que o animáculo subia pelas Trompas de Falópio até ao ovário, penetrava no “ovo e causava a sua queda”.
Não obstante, as críticas a esta teoria foram surgindo, como, por exemplo, as seguintes:
·         Considerava-se que Deus era o responsável pela reprodução humana. Assim se cada animáculo era uma pessoa, e como nem todos originavam novos seres, Deus eliminava muitas vidas. Este era um cenário impensável para as sociedades da época;
·         De Graaf descobriu o “ovo de mamífero”, que na verdade são os folículos (folículos de Graaf), não encontrando evidências de pré-formação nos seus estudos em embriões de coelho;
·         Os espermatozóides eram comparados a vermes. Como estes eram vistos como seres inferiores, esta teoria não era bem vista pela comunidade científica.
Estas contradições permitiram que a teoria ovista ganhasse força. No entanto, as evidências de que não existia pré-formação eram cada vez maiores.
Com o aparecimento da teoria celular, a hipótese da dupla semente, que já tinha sido proposta anteriormente, ganhou maior credibilidade. Esta teoria conciliava ambas as teses e concedia igual importância aos gâmetas feminino e masculino.
Segundo Descartes (1596-1650) a reprodução é o resultado da mistura das sementes feminina e masculina que “entram em processo de fermentação” através do aquecimento:
“A semente… dos animais, sendo muito fluida é normalmente produzida pela conjunção dos dois sexos; parece ser apenas uma mélange de dois licores que, servindo para fermentar-se entre si, são de tal forma aquecidos que parte de suas partículas, adquirindo a mesma agitação que ocorre no fogo, são separadas e pressionam outros e desta forma os dispõem gradativamente com as formas necessárias para formar partes do corpo”.
Descartes defendia, pois, que a concepção do novo ser é o resultado de uma reacção entre duas substâncias diferentes. Por acção do calor formam-se os futuros órgãos que, a partir de um fluido consistente, se tornam estáveis e firmes através de um processo de endurecimento e de formação de fibras.
Maupertuis (1698-1759) considerava que tanto o “sémen feminino como o masculino” continham todos os diferentes tipos de partículas que compõem os órgãos e, portanto, a concepção resultava de uma adição de partículas semelhantes.
O avanço científico e tecnológico tem possibilitado uma nova realidade.
A primeira inseminação artificial foi realizada em 1790 e, em 1978, nasceu o primeiro bebé gerado por fertilização in vitro. Actualmente é possível aplicar várias técnicas de reprodução assistida que possibilitam que os casais inférteis também se reproduzam. Todos estes progressos científicos devem ser vistos com enorme sentido de responsabilidade, para que os princípios éticos e científicos sejam respeitados e para que não se percam a sensibilidade e emoção que devem pautar o surgimento de uma nova vida.
Inês Fialho – 12ºCT1

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