quinta-feira, 24 de março de 2011

Influência do Desenvolvimento Social e Tecnológico na nossa Sexualidade



Na sociedade actual todos os elementos fundamentais (transportes, comunicações, indústria,…) dependem quase inteiramente da ciência e da tecnologia. A ciência permite-nos compreender o mundo e tenta, acima de tudo, controlar o que nos rodeia a até mesmo nós próprios. Como afirma Carl Sagan “não sendo um instrumento de conhecimento perfeito, é apenas o melhor que dispomos”; “A miséria humana que se pode evitar é quase sempre causada, não tanto pela estupidez, quanto pela ignorância, sobretudo a ignorância de nós mesmos”.
O desenvolvimento da sexualidade não está apenas relacionado com as influências da informação e impulso sexual, mas também com os sistemas sociais, económicos e culturais em que estamos inseridos.
A sexualidade continua a ser uma área de conhecimento científico em constante mutação e extremamente complexa, sendo vista e compreendida de acordo com os valores de cada um, variando de cultura para cultura, de ano para ano e até mesmo de pessoa para pessoa. No entanto, a sexualidade e a educação sexual sempre acompanharam o evoluir do Homem, uma vez que o ser humano é um ser sexuado e que precisa de se reproduzir para manter a espécie. Todos nós de uma forma mais ou menos directa, somos influenciados e influenciamos as atitudes de quem nos rodeia em relação à sexualidade, especificamente. Somos fortemente moldados pela sociedade e pela cultura em que estamos inseridos, pois os valores que iremos tomar, as direcções que iremos seguir são muitas das vezes influenciadas pelas nossas vivências até à data, pelo conhecimento em relação aos assuntos e tudo isto é-nos transmitido pela nossa família, principalmente em criança. Portanto, a mesma vivência sexual pode ter várias interpretações e avaliações consoante a cultura e a sociedade dos intervenientes.
É muito difícil analisar e interpretar cientificamente a sexualidade pois esta está intimamente relacionada com a religião e com a moral, ou seja, os valores sociais; as normas sociais acabam por determinar o que é correcto ou incorrecto em relação à sexualidade. Em vez de se tomar o conhecimento científico como fio condutor das nossas atitudes, neste contexto, o grande fio condutor é, sem dúvida, a religião, a moral, as crenças de cada um.
A sexualidade, apesar de estar extremamente relacionada com o sexo, abrange todas as manifestações sexuais, quer sejam processos biológicos da reprodução da espécie, aspectos psicológicos, sociais, culturais e éticos do comportamento humano.
Com o desenvolvimento social e tecnológico conseguiu-se alargar vastamente a nossa área de conhecimento em relação à sexualidade. Hoje, como exemplos deste desenvolvimento, temos o conhecimento da existência de doenças sexualmente transmissíveis (DST), como a SIDA, o herpes, a gonorreia, etc., sabemos como podemos ficar contaminados, o que fazer para evitar o contágio, sabemos ainda a cura da grande maioria delas e consegue-se determinar com exactidão se estamos ou não contaminados, a criação de métodos contraceptivos extremamente eficazes. Mas estamos longe de conseguir encontrar a resposta para todas as questões relativas à sexualidade, apesar do desenvolvimento e de muitas das questões já terem uma resposta científica onde antes apenas existia o factor religião, algumas perguntas ficam ainda por responder.
O desenvolvimento social e tecnológico permitiu ainda o atenuamento de grandes preconceitos sociais em relação à sexualidade; como exemplos temos a masturbação e a homossexualidade hoje provados como atitudes perfeitamente normais na vida sexual dos indivíduos, mas que já foram tidos como absoluto pecado, como comportamentos perversos. Hoje sabe-se, devido a estudos realizados por Masters e Johnson em 1972, que tanto o homem como a mulher são regidos pelas mesmas leis fisiológicas, mais concretamente, ambos possuem desejo e prazer sexual; não apenas o homem como se julgou durante séculos.
Não nos podemos esquecer que o desenvolvimento tecnológico em relação à sexualidade apenas tem frutos nas relações humanas quando acompanhado por um desenvolvimento social, menos preconceituoso e com mais esclarecimento.

Inês Garção
12º CT1

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