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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Res Publica, a Escola, a Biblioteca e o processo de Requalificação. (2)

Alguns minutos antes da inauguração oficial.
Às 13.oo horas do dia cinco de Outubro
Uma hora antes da inauguração (dia cinco de Outubro)
Na semana passada

Obras dão inúmeros problemas. Obras numa escola, que é como uma pequena cidade, alteram a vida de centenas ou milhares de pessoas.

Voltemos à biblioteca. A primeira opção, recomendada, era fechar por uns tempos, um ano pelo menos. A outra, a que preferimos, foi acompanhar o andamento da escola. O que implicou encaixotar milhares de livros, DVDs, computadores, cassetes …, seleccionar de acordo com os novos espaços, montar novas redes, remontar o mobiliário, acompanhar o ritmo das obras, com os imprevistos, as compreensões, as incompreensões. Nada de cumprir calendarizações e horários previstos, porque estavam sempre a mudar. Nada de respeitar ritmos normais, mas até usar sábados e feriados em trabalho que não se vê mas aparece feito sem grandes alardes, num quase anonimato que preservamos. Mudámos duas vezes para diferentes espaços

Trabalhou muita gente nisto, de várias formações e nacionalidades. Gente que transportava caixotes e computadores como se fossem tijolos, mas que, alguns até sem falarem português, perceberam, depois de algum diálogo, que havia que fazer as coisas com mais cuidado. Por exemplo, em Dezembro, e sem que se notasse quase a falta dos serviços, andaram, além de professores e funcionários da escola, trabalhadores de Angola, do Paquistão ou da Índia; como na véspera ou até no dia da inauguração oficial, outros da Guiné Bissau, de Cabo Verde ou do Brasil. Uma hora antes da biblioteca parecer apresentável lá andavam cinco homens a carregar caixotes e alguém mais a acompanhá-los num dia feriado. Como na véspera e noutros dias se andou até às tantas com pessoas que muitos não imaginam que lá andassem. Porque não se trata de horários mas de tarefas e objectivos e contribuir para um bem público. Houve tantos e pequenos problemas que se tinham que resolver na hora, mesmo tomar decisões que poderiam não ser as melhores mas que tinham que ser tomadas. As indefinições e esperas têm sido muitas. As novas estantes vieram na quinta-feira passada e só acabaram de ser montadas na sexta, a um dia útil antes da inauguração, o que levou a que se tivesse que tirar e desmontar a mobília que lá estava a retirar livros e outros materiais de caixotes que estiveram em vários locais e misturados com tantas coisas, ao mesmo tempo que ainda se pintavam paredes e em que todos os funcionários estavam mobilizados para muitas rearrumações, ao mesmo tempo que vinham camionetas a trazer novo material, mas muito parecido com o de outras salas, ao mesmo tempo que andavam dezenas de outros trabalhadores a tratar dos renovados espaços verdes, da mudança de estaleiro, de pequenos e múltiplos problemas, engenheiros, arquitectos, encarregados por todo o lado.

Ao contrário de muitas obras, e esta não foi pequena, não houve derrapagem de custos. É de saber, que nesta, além da Parque Escolar, a empresa pública que dirigiu a obra, esta foi entregue, por concurso a um consórcio de empresas, após aprovados projectos de arquitectura e engenharia …, uma outra empresa fiscalizava as obras, o mobiliário e outros equipamentos foram e são fornecidos por outras empresas … um mundo de gente que não seria fácil pôr num organigrama, … além do diálogo e as aprovações imprescindíveis da Câmara Municipal, de vários organismos de ministérios etc., etc., da participação imprescindível da escola, que alterou completamente os ritmos e que pôs os nervos em franja a tanta gente… Um ritmo que levou a que alguns acordassem a sonhar com tijolos, caixotes, máquinas em movimento, ritmos a várias cores.

A inauguração fez-se. Mas não está tudo acabado. Vamos recomeçar outra etapa

E na biblioteca? Trabalhamos, continuamos, ainda falta muita coisa. Mas vamos abrir na próxima semana, mesmo sem o projecto que estava previsto no início, mesmo sem os novos computadores que hão-de vir e tendo em conta que o espaço da escola é maior do que era antes e as pessoas são as mesmas ou menos ainda. Contamos com o civismo dos alunos, que já deram provas ao longo de anos e com a participação de todos que vão continuar a usufruir de bens que são de todos.

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