terça-feira, 17 de março de 2009

21 de Março - Dia Mundial da Poesia



Eras mais



O que me invade,
O que não consigo domar
É fruto da saudade,
Saudade de te olhar.

Crescendo lentamente,
Sempre lado a lado,
Outrora juntas no presente,
Hoje, só te encontro no passado.

Sinto, porém, que fracassei
No final da tua vida
Sofrendo te abandonei
Com medo da despedida.

Sei que se pudesse recuar
Iria agir de forma diferente
Espero que me possas perdoar
Enquanto sigo, só, para a frente…

Eras mais que uma cadela,
Companheira de carruagem.
Perco-te, olhando pela janela,
Porque ficaste nesta paragem?



Maria Ana Zorrinho, 10ºSE

21 de Março - Dia Mundial da Poesia


Paixão Proibida

É o sonho

É a dor escondida,

O mar de ilusões

Que comanda a vida.


É a melodia secreta

Que ecoa no fundo de um olhar,

Que chama por ti,

Que por mim parece chamar.


Um sofrimento tão profundo

Tão obscuro que nos leva,

Que nos consome,

Que nos atraiçoa.


Uma desconfiança,

Uma promessa feita em vão,

Um castigo eterno

Que nos persegue desde então.


O fogo gelado num coração perdido,

Num tempo esquecido,

De um mar revoltado,

De um sol apagado.


Um beijo de saudade,

E uma tristeza que para sempre nos acompanha.


A quem me refiro?

A algo que nos mata com um suspiro,

A algo mais forte que a vida,

A paixão proibida.

Miguel Coelho

10ºCT2

21 de Março - Dia Mundial da Poesia


As pessoas nem sempre são boas,
Por vezes até há gente ruim,
Mas, no mundo em que frequentemente me vejo,
Nunca é assim.

Sentes-te a voar, a abstrair do mundo real,
Sentes a música no teu corpo,
E tens mesmo que te deixar levar.

A magia de um único salto,
A leveza dos movimentos,
A perfeição é uma realidade,
Nesse mundo em que estás dentro.

As pessoas aplaudem
E tu ficas orgulhosa,
Elas comentam que estás perfeita,
Frágil como uma rosa.

Sentes-te imortal, o mundo todo a teus pés,
Esboças um sorriso, pões-te em pontas
E já não há mais nada.
És apenas tu e o teu mundo.

E quando todas as luzes se apagam,
O troço já está desfeito,
As sapatilhas e protecções arrumadas,
A dor chega, e enche-te por completo.

Onde está a magia?
Para onde foi a imortalidade?
A dor, apenas tu a consegues ver,
E o que era perfeito acabou.

És uma pessoa normal,
Num mundo cheio de injustiças.
Agora vai! Dorme e descansa,
E aproveita mais outro mundo,
Onde ainda existe esperança.

Débora 10ºCT2

21 de Março - Dia Mundial da Poesia

Sonhar alto
Quem me dera ser o sol
Para poder brilhar todos os dias
E poder aquecer-te
Enquanto te via.

Quem me dera ser o mar
Para poderes entrar pelas ondas
E deixares-te levar
Por este mundo fora
Que não tem principio
Nem demora.

Quem me dera ser uma gaivota
Para poder ter asas e
Pousar e repousar
Na cabeça de alguns meninos
Que por terem muitas necessidades
Querem e abusam
De poucas vontades.

Quem me dera ser uma formiga
Para poder entrar no teu coração
E ser escolhida, por ti,
Para ser a tua melhor amiga.

Quem me dera ser magia
Para te levar ao meu encanto
A fim de não te sentires sozinha
Neste mundo de recantos.



Helena TR

21 Dia Mundial da Poesia

«Todos nós, ao menos uma vez na vida, somos poetas, quando pressentimos o encanto de uma paisagem, o mistério de uma alma, qualquer coisa enfim que nos liga a uma realidade que fica para além das aparências e que não se pode dizer por palavras.»

(Jacinto do Prado Coelho)


Numa tentativa de, através da poesia, traduzir o indizível, os alunos do 10º ano foram convidados à produção de textos poéticos. Com “transpiração e inspiração” lançaram-se ao trabalho. Beleza, criatividade, alma…

Parabéns aos “poetas” da E.S.S.F.


Ana Paula Ferrão



domingo, 15 de março de 2009

Discreto Ser Humano
Prevejo os teus olhos ao nascer do Sol,
Sinto tocares-me na manhã fria,
Espero pacientemente pela tua vinda,
Quero sentir-te nos meus braços outra vez.

Quando chegavas,
Aquecias-me a alma,
Era contigo que eu sempre sonhava,
Mas diz-me o quanto gostas de mim.

Deixa-os falar,
Sempre fomos muitos insubmissos,
O nosso secreto segredo,
Não deve ser revelado.

E os dias vão passando,
Sinto uma presença.
A presença da tua ausência,
Um vazio profundo.

Hoje chove,
O meu estado de espírito é reflectido no tempo,
Hoje choro,
Puras e perfumadas lágrimas de cristal, marinhas.

Hoje está bom tempo,
Regressaste,
O mais belo girassol dos campos,
Voltou a florescer.

E quando os teus lábios tocam os meus,
Sinto-me a levitar,
O teu perfume,
Penetra na minha pessoa.

Sobrevives no meu coração,
Alimentas-te das minhas recordações,
Sei que voltarás,
Entretanto, só quero que me beijes outra vez.

Carolina Pena 10ºLH1

Sempre gostei de fotografar paisagens e não pessoas. Porquê? Talvez porque com um simples olhar podemos descobrir inúmeras particularidades, e porque nos podemos identificar com essa paisagem. Ao contrário das pessoas, as paisagens não dizem mentiras, não nos fazem sofrer, às vezes até parece gostar tanto de nós que ficam a tentar esconder-nos algo para nós descobrirmos, como se se tratasse de uma “caça ao tesouro”.
Das paisagens que admirei, apenas me identifiquei com duas: uma paisagem do campo e outra paisagem que era um pôr-do-sol na praia.
A primeira paisagem (a do campo) foi a mais importante pois vivi-a com os meus amigos, numa tarde que de tão boa que era, pareci ser infinita. Acordámos cedo, e fomos passar o dia inteiro no campo. Depois do almoço, fomos todos andar de bicicleta e parei quando vi uma flor que parecia ser muito formosa, mas que tinha algo que me cativou, a sua simplicidade, então colhi-a pela raiz e plantei-a de novo onde estávamos. No fim da tarde, ficámos todos a contemplar por mais do que uma hora aquela paisagem, que de tão bonita que era parecia querer vir até nós, e brincar connosco, ou chegar-se mais perto para ouvir o que nós segredávamos.
A segunda paisagem (a do pôr-do-sol na praia), foi algo alegre, mas melancólico, como se já a tivesse observado, noutra ocasião, mas tinha a certeza que era a primeira vez que a estava a observar. Foi à tardinha, quando ia a passear com os meus pais no calçadão, e de repente quando nos sentámos para descansar e escolher um lugar onde ir jantar, vi aquela paisagem, linda. O céu estava rosa, avermelhado e lilás, com um sol muito grande, quase escondido atrás de uma rocha, e a água do mar tinha a mesma cor que o céu. Parecia algo mágico, e único, mas o que me surpreendeu foi trazer-me à cabeça pensamentos alegres, e em seguida pensamentos tristes, mas não ser a razão.
Estas foram e sempre serão as minhas paisagens, que me tocaram de forma estranha.

Helena Garcia
10ºCT2 Nº10

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