sexta-feira, 28 de novembro de 2008

1º de Dezembro

E, se não tivesse havido o 1º de Dezembro de 1640? Estaríamos a falar castelhano ou a contestar o poder de Madrid, como fazem tantos catalães, bascos e galegos?

Neste dia, o rei de Portugal era o mesmo de Espanha. Em 1580, Filipe II de Espanha e primeiro de Portugal, tinha prometido conservar as leis, a língua e os costumes de Portugal. Mas, no século XVII, já estava em curso uma maior integração e um projecto de transformar o nosso país numa província. Em 1640, meses antes de Dezembro, tinha rebentado uma revolta em Barcelona, conhecida por ser a revolta de “Els Segadors” (à letra, os ceifeiros), descrita pelo português, mas em língua castelhana, D. Francisco Manuel de Mello, que ainda teve problemas por defender a nacionalidade portuguesa.

Com a revolta da Catalunha, os portugueses conseguiram consolidar a resistência, formar um exército, construir muralhas, visto que as forças espanholas estavam concentradas ali. Évora também sofreu com a ocupação pelo exército de D. João de Áustria.

Mas já em 1637 tinha havido uma revolta popular em Évora, que Severim de Faria tão bem descreve. Repare-se no que se passou, a partir da Praça Grande, hoje Praça do Giraldo:

Choveram no mesmo instante pedras nas janelas e casas do Corregedor, despedidas dos rapazes e pícaros da Praça, os quais, animados com a assistência do Povo, subiram acima e botaram na Praça, furiosa e confusamente, quanto acharam nas mesmas casas do Corregedor e, fazendo uma fogueira defronte delas, se pôs fogo a tudo.Escondeu-se o Corregedor em uns entre-solhos. E, sendo pouco depois achado pelos rapazes, passou aos telhados por uma fresta [...] se recolheu desairoso às casas do Cónego [...], que estão paredes meias com as suas. [...]Continuou a fúria do Povo amotinadamente pela Cidade e entrando em casa de Luís de Vila Lobos, logo na de Manuel de Macedo e de Agostinho de Moura, actuais vereadores, que já esta­vam escondidos, lançaram tudo o que havia nestas casas pelas janelas à rua, e grande parte se trouxe à fogueira que na Praça ardia. E ainda que estes vereadores não haviam entrado na nova diligência de inventariar as fazendas, tinham o ano passado dado consentimento a um novo tri­buto de um real por cada canada de vinho, e outro por cada arrátel de carne, que se vendessem pelo miúdo na Cidade, e porque logo então o Povo replicou, e não consentiu nestes novos reais, a que chamavam de água, executou agora nas casas dos ditos vereadores o ódio que desde aquele tempo havia concebido contra eles. E, querendo declarar mais como não consentira nunca aquele tributo do real de água, foi o mesmo Povo ao açougue e fez em rachas as balan­ças, porque as carnes se arrolavam para este tributo; e correndo às casas dos escrivães, trouxe a queimar na fogueira da Praça todos os livros e papéis que entendeu tocavam ao inventário das fazendas, ao tributo do real de água e também à quarta parte do Cabeção Geral, que o ano passado se havia imposto e em que o Povo do mesmo modo não consentia.Notou-se que em todos estes acontecimentos não houve ânimo nenhum de se furtar cousa alguma; tudo o que se achou nestas casas ou veio à fogueira da Praça ou saiu em pedaços pelas janelas, e tanto assim que até umas panelas de doces, que estavam em casa do Corregedor, vie­ram à mesma fogueira, sem haver quem lhes tocasse para outro efeito.Foi este dia de grandíssima confusão nesta Cidade, e quase do mesmo modo os três ou qua­tro que se lhe seguiram, porque esta parte vil do Povo, que foi só que se moveu, amotinada em vários troços, andava furiosa de dia e de noite, corria e apedrejava as casas daqueles que nas ocasiões dos tributos se haviam mostrado menos zelosos do bem comum, e, como as justiças não apareciam e os nobres recearam que, se resistissem a este ímpeto, o poderiam acrescentar, acu­mulando-se de novo nos pícaros e maganos, a outra parte melhor do Povo, que não estava declarada, era tudo horror tudo confusão: o Povo se apelidava o Povo se ouvia e, sem ordem nem concerto, o Povo dispunha e executava. [.1Seguiu quase todo o Alentejo e o Reino do Algarve, e ainda alguns lugares da Beira, o exem­plo de Évora, e sucessivamente se foram levantando com os tributos do real de água e quarta parte do cabeção; e dos lugares maiores só Elvas, Moura e Estremoz ficaram quietos, e os demais foram os movimentos da mesma qualidade que em Evora, mais ou menos segundo a oca­sião do ímpeto, prudência das justiças e resistências dos nobres, que em toda a parte se opuse­ram a estes motins. Lugares houve em que vieram a fogueiras públicas os cartórios civis e cri­mes dos escrivães, em que não havia nada que pertencesse nem a tributos nem a inventários das fazendas.

Manuel Severim de Faria,«Relação do que sucedeu em Portugal, e nas mais províncias do Ocidente desde 1637 até Março de l638», in Alterações de Évora, int. e notas de Joel Serrão, Portugália, Lisboa, 1967, pp. 137-142.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Um Problema Universal


Taran-Taran-Taran!- Uma mão saía debaixo dos lençóis emaranhados em direcção ao despertador. Encandeada com os pequenos feixes de luz que irradiavam pela janela, Sofia levantou-se e dirigiu-se, a custo, para a casa-de-banho. Preparou-se e desceu para tomar o pequeno almoço com os restantes familiares, que já se encontravam na cozinha.
-Bom dia! – Saudou, dando um pequeno beijo na bochecha dos seus pais.
-Bom dia, Sofia.
Sentando-se para tomar a sua refeição matinal, vai ouvindo o noticiário da manhã: (…) ora hoje o dia 16 de Novembro, dia Internacional para a Tolerância, tem sido bastante conturbado e “negro” para a Casa Branca. Visto que o presidente Barack Obama tem sido alvo de grande discriminação e agressão verbal por parte da população e mesmo dos políticos(…)”
-Que horror… - Comentou a mãe de Sofia – Não bastam os escândalos políticos e os media também ajudam à festa! Que intolerância.
Toc-Toc-Toc! – Soou a porta.
-São a Sara e a Teresa, tenho de ir andando para a escola, até logo.
-Ouviram as notícias de manhã? - Perguntou Sofia - Não há compreensão nem tolerância.
-Hoje, antes de irmos ter contigo, vimos um menino pequeno a levar pancada por causa da sua cor ser diferente.
-A intolerância é algo extremamente insensata contra a qual todos devíamos lutar. – Disse Teresa
-Concordo! Vamos fazer isso hoje na escola…- Concluiu Sara
As três amigas caminharam juntas discutindo a melhor forma de resolver o problema em mãos.


Susana Barradas
Nº24 11ºCT1

terça-feira, 25 de novembro de 2008

“ A animação Sociocultural dos nossos avós”


Alunos à porta da Sociedade Operária

Joaquim António D’ Aguiar




( Baile dos anos 60 na Sociedade Harmonia Eborense)



No âmbito da disciplina de Animação Sociocultural, do Curso Profissional de Animador Sociocultural, estamos a desenvolver um Projecto sobre a Animação Sociocultural dos nossos avós, sob a orientação do Senhor Professor António Cravo.
Até à presente data a nossa turma (1º ano ASC), já visitou três sociedades Recreativas da nossa cidade. A 1ª visita foi à Sociedade Harmonia Eborense. Nesta fomos recebidos pelo Sr. Nuno Belo que nos conduziu às instalações da Sociedade e nos explicou como esta funciona desde a sua fundação. O Sr. Nuno Belo também nos explicou como se processava a actividade social da Sociedade no tempo dos nossos avós, mostrou igualmente fotografias de bailes que se realizavam nessa época, na Sociedade, fotografias de Carnaval, e outras igualmente ilustrativas daquele tempo.
No dia 24 de Outubro, saímos para visitar a Sociedade União Eborense – “Bota Rasa”. Fomos recebidos pelo presidente da colectividade, Sr. António Luz que nos contou a história da Sociedade. Das suas palavras ficámos a perceber que esta Sociedade, ao longo da sua existência, desenvolveu actividades culturais muito interessantes, entre outras curiosidades contadas, o Senhor António Luz, disse-nos que a alcunha “Bota Rasa” pela qual muita gente identifica a Sociedade, deve-se ao facto de, no Século XIX, os grupos socioprofissionais mais numerosos que frequentaram a Sociedade, serem os proprietários lavradores e os Militares, que usavam botas de tacão raso, próprias para montar a cavalo.
No passado dia 31 voltámos a sair com o nosso professor para visitar a Sociedade Joaquim António D’Aguiar. Nesta Sociedade fomos recebidos pelo Sr. João Bilou, que nos explicou de forma muito clara toda a história da Sociedade, bem como era a Animação Sociocultural no tempo dos nossos avós nesta Sociedade.
Para concluirmos esta 1ª fase do Projecto – recolha de informação - estão planeadas mais duas saídas, uma à Sociedade Dramática Eborense e outra ao Inatel.

(Grupo de crianças dos anos 60 mascarados)

As alunas:

Ana Marcão Nº2

Vanessa Lopes Nº20

CSI- Calhamaços sob Investigação

CSI é um enigma literário. Tem por objectivo descobrires o livro e o seu autor.

Para isso, dar-te-emos pistas sobre o Calhamaço, o autor....

(A base de dados, as estantes da Biblioteca e a net poderão também ser uma ajuda...)

E no fim, podes habilitar-te a um prémio CSI.




Muito, muito importante:

Quando descobrires o livro e o autor, escreve a resposta numa folha e coloca-a na Biblioteca, na caixa CSI, até 15 de Janeiro de 2009.

Não te esqueças de te identificar (nome, nº e turma) e de colocar a data de entrega.

O primeiro a entregar a resposta certa ganha um prémio!


Sobre o autor:

O segundo nome deste conceituado autor é IGNATIUS.

Nasceu em 1859 e morreu em 1930.

Ficou conhecido sobretudo pelos seus romances mas também escreveu contos, ensaios, panfletos, poemas, peças de teatro...

Uma das suas personagens atingiu tanta celebridade que, além de ganhar vida no cinema, deu origem a protestos e manifestações de rua após o autor a ter morto. Resultado: o escritor teve de ‘ressuscitar’ a personagem.

Esta personalidade, além da actividade literária, distinguiu-se na sociedade, tendo sido nomeado cavaleiro, devido à sua participação na Guerra Bóer como cirurgião.


Sobre a obra:

Tudo está ligado a um solar amaldiçoado.

Além do solar, há também um animal que dizem que é do Diabo e que o fogo lhe sai dos olhos e da boca.

Mais: todos os que passeiam perto daquela casa são mortos.

Hugo, Henry, Charles são alguns dos nomes das personagens intervenientes.

Há ainda raparigas raptadas, bilhetes amaldiçoados, uma bota desaparecida e estranhos choros durante a noite...

Peditório para assinalar o dia Mundial da SIDA integrado nas actividades do GPS


No âmbito do Dia Mundial da Luta Contra a SIDA, vai realizar-se na Escola Secundária Severim de Faria, um peditório nos dias 2 e 3 de Dezembro de 2008 que reverterá a favor da ABRAÇO- Associação de Apoio a Pessoas com VIH/SIDA. Este peditório será efectuado, pelos alunos do Curso Tecnológico de Acção Social em colaboração com o Gabinete de Educação para a Saúde (GPS), durante os intervalos em determinados locais da escola.

Adília Condeço (coordenadora do Projecto de Educação para a Saúde)

Bibliotecas escolares - Atividades 2025/2026

 Antes do início do novo ano letivo, deixamos um apontamento relativo às atividades das Bibliotecas Escolares (ESSF), no ano letivo 2025-20...