sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Campo



  Haverá melhor lugar onde se passar e absorver, com o poder de um olhar, tudo o que à nossa volta se encontrar?
  Não…
  O campo, decorado de acordo com a época, sem ligar a grandes modas, está habituado a cantar e encantar, ouvir e partilhar, dar e receber sem se incomodar.
  Faz pensar como tudo toma outra beleza quando visto não só com os olhos, mas também com o coração.
  O canto dos pássaros, o murmúrio das searas quando o vento dá o seu sinal, a dança das flores na Primavera, os rebanhos que passam sem darem grande importância à nossa presença…
  Considero-o como um refúgio, onde desde pequena me levaram e me ensinaram a respeitar esse mundo que tanto de bom nos dá. Lá, posso pensar, posso gritar, chorar, ou limitar-me a absorver o silêncio que me envolve e facilmente se quebra.
  Uma viagem que faço, e anseio por repetir vezes sem conta. Uma viagem que me proporciona outras viagens. Uma viagem ao campo que me leva a uma viagem dentro de mim, e quem sabe, talvez para bem longe daqui?!
  O campo é assim…


Maria Inês Correia Porto Neves de Carvalho, nº22, 10ºLH

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Novissimo livro de Fernando Évora


Recentemente publicado, vai ser apresentado na Biblioteca Pública de Évora no dia 7 de Dezembro, com a colaboração da Biblioteca da Escola Secundária Severim de Faria, o livro de Fernando Évora:
No País das Porcas-Saras

Da sinopse retemos, para que os leitores continuem:

Uma velha quase analfabeta que rima as palavras em quadras e décimas; uma menina que desperta os apetites sexuais de um tio; uma mulher com medo do escuro; um homem que faz malabarismos com um palito na boca; um galinheiro, um poço, um sobreiro, uma caixinha de cartão. Personagens inesquecíveis e cenários decrépitos de uma história que tem lugar no Portugal do século XXI, num interior esquecido.

Fernando Évora faz parte da prata da casa, pois foi aqui professor há alguns anos.

Cantiga do Mar

Há muitos anos, os alunos de Português estudavam poesia trovadoresca; agora já não . Apenas os alunos de Literatura o fazem. Sem juízos de valor. 
Esta cantiga (poema) seria uma possibilidade de cantiga de amigo, mais concretamente uma marinha... marinha, pelos motivos óbvios. (sensual, não?)



 
Cantiga do Mar (Marinha)

Ai meu amigo                                                                    
Que chegaste do ferido,                                      
Acá neste mar                                                                   
Nos vamos aconchegar!   
                                  
Mas que águas revoltadas
De repente nos são tocadas,
 Acá neste mar
Nos vamos mergulhar!

Ai meu amado                                                                   
Que chegaste do fossado,                                              
Acá neste mar                                                                   
Nos vamos abraçar!           

Mas que águas mexidas
De repente nos são sentidas,                                         
Acá neste mar
Nos vamos mergulhar!

Que chegaste do ferido,                                      
Juntamo-nos nesta praia de Vigo                                  
Acá neste mar                                                                   
Nos vamos enamorar!                   
           
Nosso amor
Será dor,      
Acá neste mar
Nos vamos leixar!

Que chegaste do fossado,                                              
Juntamo-nos neste lugar areado                                   
Acá neste mar                                                                   
Nos vamos acarinhar!       

Nossa paixão
Será aflição,                        
Acá neste mar
Nos vamos afogar!

Mas que águas revoltadas
De repente nos são tocadas,                                                                 
Acá neste mar,                                                                  
Nos vamos mergulhar!      


Joana Cidades  10º LH nº 17

                                   Literatura Portuguesa
 

Sonho no desconhecido



Há alguns dias, encontrei a forma mais económica de realizar a minha viagem de sonho, porque apesar da crise financeira, ainda não entrei em crise de imaginação.
Substituindo longas viagens de carro ou de avião, deitei-me na cama muito confortável, e dei por mim num lugar que nunca visitara. É certo que nos sonhos tudo é melhor que na realidade. Era mais ou menos assim, já que, às vezes, os sonhos nos pregam partidas e esquecemos pormenores.
Era um campo verde, com aromas florais diversos: camomila, malmequer, rosa… E o Sol brilhava muito, aquecendo quem tivesse frio. Lá perto, havia um riacho, onde a água era cristalina e se viam peixes coloridos. Podia correr livremente pelo caminho de pedra branca. Foi o que fiz. Parei numa aldeia, onde tudo era calmo. Não vi ninguém, a não ser um rapazito de dez anos:
- Onde está toda a gente? – Perguntei-lhe.
Ele apontou para uma porta. Entrei. Vi uma grande luz branca. Ouvi uma voz grave.
-Joana, levanta-te! Já são sete e meia da manhã!
Era o meu pai. Acabou o sonho.
Hei-de lá voltar para saber o que havia atrás da porta…
Joana Cidades
10º LH nº 17
2010/2011

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Acordo Ortográfico

É de esperar que Portugal enquanto Estado Nação preserve a sua própria cultura mas não estaremos nós a perder um pouco (significativo até) da nossa identidade? E eis que estamos, passo a corrigir, já perdemos, uma vez que o tão polémico Novo Acordo Ortográfico se propõe a entrar em vigor no presente ano de 2010.
Bem, o facto de existirem duas línguas oficiais portuguesas, "a lusitana e a brasileira, tem sido considerada como largamente prejudicial para a unidade intercontinental do português e para o seu prestígio no Mundo." Ora, como solução afigura-se este acordo, a chamada "uniformização".
O "português europeu" está para o "português brasileiro" como o "inglês britânico" está para o "inglês americano" e estas diferenças devem ser preservadas porque são constituintes da identidade de cada país.
Se a inexistência deste acordo não significava a impossibilidade de comunicação entre brasileiros e portugueses, afirmo que a justificação para este acordo é puramente promover a internacionalização da língua e quem sabe, colocá-la no top 3 das línguas mais falados no Mundo.
Embora, quer o português de Portugal, quer o português do Brasil tenham origem na mesma língua, o latim, foram alvo ao longo dos tempos de influências diferentes. Influências de outras línguas e de outras culturas, daí que estas particularidades devam ser respeitadas e preservadas. Esta uniformização não se justifica. E ainda dizem que os portugueses não têm “nacionalismo”. Obviamente que este acordo foi pensado, e muito, desde o inicio do século XX que este acordo está a ser feito e em 1986 propunha-se a uniformizar cerca de 99,5% da língua “mas conseguia-a, sobretudo, à custa da simplificação drástica do sistema de acentuação gráfica, pela supressão dos acentos nas palavras proparoxítonas e paroxítonas, o que não foi bem aceite por uma parte substancial da opinião pública portuguesa.” Decidiu-se então uniformizar “apenas” 98% do geral da língua.

Raquel Pinto, 12ºLH1

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"A infância: um paraíso perdido?"

Sendo a parte mais importante e fundamental do desenvolvimento do ser humano, é também a parte que o constitui com base nos valores a que é exposto.
Considero que actualmente e, pelo menos em Portugal, as crianças têm uma infância menos saudável que a que eu tive (e esta, por sua vez, foi ainda menos que a da geração anterior). Os valores incutido pela televisão, videojogos e livros de hoje em dia fazem tudo parecer simples e atingível pelo carregar num botão, coisa que no futuro as crianças (já crescidas) aprendem das piores maneiras. A linguagem utilizada, por exemplo, é simplicíssima, sem uma única palavra que possa levar à adorável questão "Mãe, pai, o que quer dizer aquilo?". Os valores transmitidos são os de um mundo pacífico, existente apenas nos nossos sonhos e maravilhas, um mundo sem pobreza, com uma ligação extrema às pessoas que mais são faladas hoje em dia. As crianças parecem ficar com uma ideia de que "tudo é fácil, amanhã vou ser uma estrela rock", mas o que consta é que já nem o rock existe e o que existiu já não faz parte das vidas desta nova geração.
Em contrapartida, várias gerações anteriores à nossa perderam a infância, obrigadas a crescer e a lutar ou morrer para que outros vivessem vidas luxuosas sem as mínimas preocupações, intocáveis - toco no poema "O Menino da sua Mãe" de Fernando pessoa, cujo protagonista podia já nem ser um Menino, por assim dizer, mas um soldado e quando se é um soldado já nada interessa, idade, estatura, família, tudo acaba na carnificina.
A questão fica: o que é uma infância saudável? Se já alguém teve uma infância saudável, é-me desconhecido - cada geração tem os seus valores e a cultura nos dias de hoje parece-me ser secundária. Um paraíso perdido? Sempre foi. Sempre será.
Tiago Clariano 12º LH1

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A infância, idade de ouro do ser humano.


               
Intitula-se a infância de “idade de ouro”. Título que, na minha opinião, é digno; tendo em conta o que vem posteriormente, o continuar da estrada.
                Estamos rodeados de um mundo fantástico onde apenas nos é apresentada cor – tons vivos, texturas suaves, sons melodiosos; metaforicamente.
                É a infância a altura das despreocupações e da diversão quase constante. Ainda corre em mim a adrenalina distante de um “jogo do esconder”…o receio brincalhão de ser descoberta, a sensação de triunfo ao chegar ao ponto de partida, ilesa! sem ter sido vista.
                Deliciosos eram os momentos em que não questionada com o propósito de perceber, mas sim com o objectivo simples de obter uma resposta, e assim sentir-me mais sábia. Deleitáveis eram os momentos em que um choro não me entristecida por mais de dez minutos. O não compreender proporciona uma ingenuidade extremamente agradável. Quem não entende não sofre, e muito menos sofre por não entender – não há sequer a consciência do não entendimento.
                A infância é um período repleto de paz e descontracção imensa. Não há espaço para sentimentos de séria repulsa. Seria maravilhoso que em adultos a única inquietação que nos corroesse fosse o desejo de obter um mero chupa-chupa exposto na vitrina.
                Já dizia Agustina Bessa-Luís: “A infância viva a realidade da única forma honesta, que é tomando-a como uma fantasia”. 


Maria Bilro 12º LH1

Bibliotecas escolares - Atividades 2025/2026

 Antes do início do novo ano letivo, deixamos um apontamento relativo às atividades das Bibliotecas Escolares (ESSF), no ano letivo 2025-20...