Faria conversas no presente e não no condicional...aqui na Severim de Faria, gente de cá ou próximo deste cá.Sobre tudo o que seja actual, criativo, sonante, interessante, humorístico, polémico, ou seja, o passado, o presente, os clássicos, o contemporâneo. Tendo como fontes: literatura, arte, cinema, jornalismo, ciência, televisão... tudo e mais alguma coisa.
terça-feira, 17 de março de 2009
21 de Março - Dia Mundial da Poesia
Quem me dera ser o sol
Para poder brilhar todos os dias
E poder aquecer-te
Enquanto te via.
Quem me dera ser o mar
Para poderes entrar pelas ondas
E deixares-te levar
Por este mundo fora
Que não tem principio
Nem demora.
Quem me dera ser uma gaivota
Para poder ter asas e
Pousar e repousar
Na cabeça de alguns meninos
Que por terem muitas necessidades
Querem e abusam
De poucas vontades.
Quem me dera ser uma formiga
Para poder entrar no teu coração
E ser escolhida, por ti,
Para ser a tua melhor amiga.
Quem me dera ser magia
Para te levar ao meu encanto
A fim de não te sentires sozinha
Neste mundo de recantos.
Helena TR
21 Dia Mundial da Poesia
«Todos nós, ao menos uma vez na vida, somos poetas, quando pressentimos o encanto de uma paisagem, o mistério de uma alma, qualquer coisa enfim que nos liga a uma realidade que fica para além das aparências e que não se pode dizer por palavras.»
(Jacinto do Prado Coelho)
Numa tentativa de, através da poesia, traduzir o indizível, os alunos do 10º ano foram convidados à produção de textos poéticos. Com “transpiração e inspiração” lançaram-se ao trabalho. Beleza, criatividade, alma…
Parabéns aos “poetas” da E.S.S.F.
Ana Paula Ferrão
domingo, 15 de março de 2009
Prevejo os teus olhos ao nascer do Sol,
Sinto tocares-me na manhã fria,
Espero pacientemente pela tua vinda,
Quero sentir-te nos meus braços outra vez.
Quando chegavas,
Aquecias-me a alma,
Era contigo que eu sempre sonhava,
Mas diz-me o quanto gostas de mim.
Deixa-os falar,
Sempre fomos muitos insubmissos,
O nosso secreto segredo,
Não deve ser revelado.
E os dias vão passando,
Sinto uma presença.
A presença da tua ausência,
Um vazio profundo.
Hoje chove,
O meu estado de espírito é reflectido no tempo,
Hoje choro,
Puras e perfumadas lágrimas de cristal, marinhas.
Hoje está bom tempo,
Regressaste,
O mais belo girassol dos campos,
Voltou a florescer.
E quando os teus lábios tocam os meus,
Sinto-me a levitar,
O teu perfume,
Penetra na minha pessoa.
Sobrevives no meu coração,
Alimentas-te das minhas recordações,
Sei que voltarás,
Entretanto, só quero que me beijes outra vez.
Carolina Pena 10ºLH1

Das paisagens que admirei, apenas me identifiquei com duas: uma paisagem do campo e outra paisagem que era um pôr-do-sol na praia.
A primeira paisagem (a do campo) foi a mais importante pois vivi-a com os meus amigos, numa tarde que de tão boa que era, pareci ser infinita. Acordámos cedo, e fomos passar o dia inteiro no campo. Depois do almoço, fomos todos andar de bicicleta e parei quando vi uma flor que parecia ser muito formosa, mas que tinha algo que me cativou, a sua simplicidade, então colhi-a pela raiz e plantei-a de novo onde estávamos. No fim da tarde, ficámos todos a contemplar por mais do que uma hora aquela paisagem, que de tão bonita que era parecia querer vir até nós, e brincar connosco, ou chegar-se mais perto para ouvir o que nós segredávamos.
A segunda paisagem (a do pôr-do-sol na praia), foi algo alegre, mas melancólico, como se já a tivesse observado, noutra ocasião, mas tinha a certeza que era a primeira vez que a estava a observar. Foi à tardinha, quando ia a passear com os meus pais no calçadão, e de repente quando nos sentámos para descansar e escolher um lugar onde ir jantar, vi aquela paisagem, linda. O céu estava rosa, avermelhado e lilás, com um sol muito grande, quase escondido atrás de uma rocha, e a água do mar tinha a mesma cor que o céu. Parecia algo mágico, e único, mas o que me surpreendeu foi trazer-me à cabeça pensamentos alegres, e em seguida pensamentos tristes, mas não ser a razão.
Estas foram e sempre serão as minhas paisagens, que me tocaram de forma estranha.
Helena Garcia
10ºCT2 Nº10
Visita à Regaleira

Por detrás de tão belas paisagens, o sol vai nascendo timidamente, a leste da Fonte da Abundância. Pela calada da manhã tudo se ilumina. Desde as mais altas torres da quinta, entre os magníficos jardins, às mais detalhadas estátuas de deuses. Também o guardião da família se ergue por entre as sombras das trevas, derrotadas por aquela altura. O palácio agora meio iluminado pelos fracos raios de sol… É esta a visão diária de quem visita a Regaleira, um dos mais belos locais construídos ao longo de Portugal.
Sintra por si é um vasto património, foi nela que Eça de Queirós montou o seu cenário para Os Maias, e Fernando Pessoa se inspirou para alguns dos seus poemas em A Mensagem, assim como outros escritores lusófonos. Mas perto da Quinta do Relógio, do seu lado oposto, encontramos o céu na Terra, um local que nos encanta e nos convida e um mundo de fantasia, tirado de um filme.
A Quinta da Regaleira é sem dúvida alguma, um local de reflexão e interacção com o ambiente. António Augusto Carvalho de Monteiro projectou nela todos os seus sonhos, gostos, e experiências de outras culturas, que conheceu durante as suas viagens.
Toda a Quinta foi construída pelo arquitecto-cenógrafo italiano, Luigi Manini.
“Apressa-te lentamente…” esta foi uma das inscrições que mais me tocou em toda a vista, contida no palácio, capela e construções antropológicas ao longo dos jardins.
No portal dos guardiães temos uma vista do pensamento mitológico juntamente com as crenças do próprio Carvalho Monteiro.
Toda a construção tem indícios de maçonaria e símbolos templários, a cruz templária no fundo do poço iniciático e a cruz da Ordem de Cristo no pavimento da Capela, testemunham, precisamente a influência do templarismo em Carvalho Monteiro.
O famoso Poço iniciático, que de quinze em quinze degraus faz com que se desçam nove patamares desta imensa galeria subterrânea, construída em espiral, leva-nos a uma ligação de magníficas grutas cruzadas. Ao fundo da sua escuridão podemos encontrar um magnífico lago com uma passagem de pedras polidas e uma pequena ponte de madeira que passa por cima do respectivo lago.
O deslumbrante palácio ergue-se no horizonte, a antiga casa da família Carvalho Monteiro é uma magnífica obra, assim como toda a Quinta.
Ao entrarmos, uma sala espaçosa, a que Carvalho Monteiro deu o nome de Sala da Renascença, e era a antiga sala de estar da família, cuja decoração recupera referências do renascimento italiano e a sua iconografia celebra a união entre Carvalho Monteiro e a sua esposa, Perpétua Augusta. Avançamos e encontramos o Hall de entrada, um estreito corredor, onde outrora figurava a imponente escadaria em madeira, que dava acesso aos pisos superiores. Este hall dá-nos acesso à chamada sala de caça, uma sala de jantar dominada pela monumental lareira rematada pela escultura de Monteiro. Neste fogão de sala, sobressai o tema da caça, de excepcional execução em cantaria, faz transparecer o ciclo da vida, desde o mosaico às mísulas da abóbada.
Uma das muitas salas também existentes no primeiro piso é a sala dos reis. Antiga sala de bilhar, nela estão representados 20 reis e 4 rainhas da monarquia portuguesa e os escudos da cidade de Braga, Porto, Coimbra e Lisboa. Sobre a lareira encontrava-se o brasão de Carvalho Monteiro, onde hoje figura o brasão de Sintra.
Os pisos subterrâneos(-1 e -2) estavam destinados aos serviços, como cozinha, despensa e copa, engomadoria, camaratas e refeitório.
No primeiro piso encontravam-se os quartos e espaços reservados à família, como as salas de estudo e dos brinquedos e a sala Lusíada, o espaço de estar integrado nos aposentos privados do casal.
Ao subirmos um piso, conseguimos ver com destaque a volumetria da sala octogonal que sugere a Charola do Convento de Cristo em Tomar. Para além desta sala e do escritório, o segundo piso destinava-se a alguns quartos e a arrumos.
Por sua vez o piso 3 era uma pequena torre neomedieval no ângulo Norte que incluía espaços reservados ao proprietário, como o escritório, com ligação directa ao seu laboratório e aos terraços.
No cimo desta esplendorosa obra prima podemos ver uma torrinha que desfruta de uma panorâmica surpreendente sobre a serra e o oceano, o miradouro é rematado com uma esfera armilar e um catavento com a cruz da Ordem de Cristo.
Por entre tantas maravilhas contidas na Regaleira, passando pela pequena, mas encantadora Capela, pela Gruta de Leda e pelos seus majestosos jardins, que fazem desta Quinta, o paraíso artístico e espiritual em Portugal.
Susana Barradas
11ºCT1
A DÉCADA DE 1930: O MITO DO ETERNO RETORNO?
«Esta tendência imperiosa de fazer mal pelo próprio mal não
admite análise, nem solução com elementos posteriores. É um
impulso radical, primitivo, elementar.»
Edgar Allan Poe, The imp of the perverse
O ano de 1930 marcou o início de uma década, considerada das mais complexas e sangrentas da História Mundial. Caracterizou-se por inúmeros conflitos políticos e crises económicas que culminariam na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e no Holocausto.
Tudo se iniciou em Outubro de 1929, quando as cotações da Bolsa de Nova Iorque caíram em flecha, influenciando toda a economia europeia. O crash de Wall Street influenciou sobretudo a Alemanha, que em 1932 tinha seis milhões de pessoas no desemprego. Aproveitando-se da crise económica e das fragilidades daí decorrentes, Hitler e o partido nacional-socialista, assumiram o poder.
Esta conjuntura político-social de crise favorecia a eclosão de movimentos totalitários anti-democráticos ou ditaduras.
Na Europa surgiram vários ditadores: Salazar em Portugal, Franco em Espanha, Mussolini na Itália, Hitler na Alemanha e Estaline na antiga União Soviética.
Em Portugal, nesta década, verificou-se uma taxa de suicídio mais elevada do que nas posteriores, como se pode comprovar pelas estatísticas do INE,[1] de 1930 a 1983.
1930 - 10,2 1956 - 10,1%
1934 - 12,2 1960 - 8,6%
1937 - 10,6 1967 - 9,9%
1939 - 12,8 1970 - 8%
1943 - 8,9 1979 - 9,6%
1947 - 10,6 1980 - 7,4%
1955 - 9,2 1983 - 9,7%
Em 1930, como podemos verificar, a percentagem de suicídios foi de 10,2%. Florbela Espanca (1894-1930), e Francisco Stromp (1892-1930) foram duas das personalidades portuguesas que entraram nesta estatística.
No ano de 1939, data de início da Segunda Guerra Mundial, registava-se a taxa de suicídios mais elevada.
Iniciou-se, a 21 de Janeiro de 1930, em Portugal, o 101º Governo interino, do General Domingos de Oliveira, que durou 896 dias, tendo, como ministro das Finanças, António de Oliveira Salazar.
Em 30 de Julho, foi criada a União Nacional; Salazar, como ministro, fez um discurso intitulado Princípios Fundamentais da Revolução Política; nele criticou “as desordens cada vez mais graves do individualismo, do socialismo e do parlamentarismo, laivados de actuações internacionalistas.”[2]
Fernando Pessoa criticou este “relatório falado, ou bois depois do carro, um apanhado, aliás muito lúcido e lógico, de princípios políticos já conhecidos” e observou que “ao público, ou a qualquer pessoa que pareça público não se pode dizer, embora melhor, senão o que ela já sabe (…).[3] Defensor da Maçonaria, Pessoa votava uma forte oposição a Salazar.
Verificámos, sem muita surpresa, que o discurso salazarista, se assemelhava ao de Hitler, proferido em 1928, do qual apresentamos alguns excertos: “ (…) o nosso povo deve ser liberto do internacionalismo sem esperança e sem ordem, e formado deliberadamente e sistematicamente por um nacionalismo fanático. (…) arrancaremos o nosso povo ao absurdo do parlamentarismo, ensinando-o a combater a loucura da democracia e a reconhecer a necessidade da autoridade e do comando.”[4]
Não foi por acaso que Freud escreveu “O mal-estar da civilização”, em 1930, ano em que Hitler assumiu o comando das Forças Armadas alemãs.
Como se pode concluir, a década de 30 caracterizou-se pela hegemonia dos génios da perversidade, que contribuíram, de forma insana, para o aparecimento de ditadores, e, sobretudo, de muitas vítimas da sua megalomania.
C. M. Gil
[1] Instituto Nacional de Estatística. Acedido em 10 de Julho de 2008, em http://www.ine.pt
[2] In Anuário 1930, acedido em 10 de Julho de 2008, em maltez.info/respublica/portugalpolitico/acontecimentos/1930.htm
[3] Idem
[4] In Frédéric Delouche, História da Europa, Coimbra, Editorial Minerva, 1992 apud Walther Hofer (obra colectiva) Der Nationalsozialismus, Dokumente 1933-1945, Frankfurt
sexta-feira, 13 de março de 2009
Portugal

Porquê viajar para fora de Portugal
Quando temos Paisagens invejáveis
Quando temos História mirabolantes
Quando temos Refeições maravilhosas
E heróis cheios de bravura?
Portugal é o país:
Dos Perfumados
Dos Orgulhosos
Dos Realistas
Dos Tolerantes
Dos Úteis
Dos Grandiosos
Dos Aventurados
Dos Leais
Joana, 10ºCT2
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