quinta-feira, 12 de março de 2009

FERNANDO PESSOA “POLICIÁRIO” - UM ENIGMA POR DECIFRAR




Procurei sempre ser espectador da vida, sem me misturar nela. Tenho na vida o interesse de um decifrador de charadas. Passo, decifro e passo adiante. Não emprego nenhum sentimento.1
Fernando Pessoa

Falar sobre Fernando Pessoa é evocar toda uma multiplicidade de rostos que se desdobram em várias máscaras. Uma das menos conhecidas é a policiária. Trata-se de uma paixão antiga, contrariada pelos anos e pelas tendências literárias.
A génese dessa paixão deu-se quando o poeta tinha vinte e dois anos, em 1910, e foi intensificada em 1930, ano em que “faz nascer” ou “renascer” o detective “decifrador”, dr. Abílio Fernandes Quaresma.
Pessoa, através da escrita das suas novelas policiárias, servindo-se de proto-heterónimos como Pero Botelho, H. J. Faber e Charles Robert Anon, fez uma homenagem póstuma a um “génio da dedução”. O dr. Quaresma era um médico sem clínica, solteiro, de estatura média, ligeiramente calvo, com uma testa alta, bigode e barba pouco tratados, de um castanho agrisalhado, como o cabelo. Vivia em Lisboa, num terceiro andar da Rua dos Fanqueiros, num quarto pequeno e desarrumado. Apelidava-se de Decifrador, ajudando a polícia a resolver casos, ditos irresolúveis. O seu segredo era a “arte de raciocinar”. Utilizando o método hipotético-dedutivo e aplicando a análise psicológica à alma do criminoso, fazia a tipologia do crime e do seu autor. Associava assim a criminologia à psicologia patológica.


Fernando Pessoa ambicionava publicar as suas novelas policiárias, até antes da obra Mensagem, como afirmaria numa carta a Adolfo Casais Monteiro, datada de 13 de Janeiro de 1935 :
Quando às vezes pensava na ordem de uma futura publicação de obras minhas, nunca um livro do género de Mensagem figurava em número um. Hesitava entre se deveria começar por um livro de versos grande (…) englobando as várias subpersonalidades de Fernando Pessoa ele -mesmo ou se deveria abrir com uma novela policiária, que ainda não consegui completar.2


Fernando Pessoa, ao falecer, em 30 de Novembro de1935, deixaria inacabadas as novelas que tanto ambicionava ter publicado em vida. Aproxima-se a realidade da ficção : assim como os casos do detective Quaresma irão ser recordados e elogiados a título póstumo, também o serão as suas novelas.
Passados cento e vinte anos do seu nascimento, comemorados a 13 de Junho de 2008, cumpriu-se o sonho do poeta, ou parte dele. Acaba de ser revelado, com contornos mais definidos, o retrato de Pessoa policiário.
A publicação de Quaresma, Decifrador. As Novelas Policiárias, obra editada por Ana Maria Freitas na Assírio e Alvim, constitui uma homenagem póstuma, feita, desta vez, ao génio policiário de Pessoa.
E, como diria o dr. Quaresma, contrariando a máxima judicial: “Contra argumentos não há factos.”


Cidália Gil
Fevereiro de 2009

1In Fernando Pessoa, Escritos autobiográficos, automáticos e de reflexão pessoal, ed. Richard Zenith, Lisboa, Assírio e Alvim, 2003, p.145
2 In Fernando Pessoa, Correspondência (1923-1935), ed. Manuela Parreira da Silva, Lisboa, Assírio e Alvim, 1999, p.338

Semana das saladas


Está a decorrer, na nossa escola, a semana das saladas. Para melhor saborear, incluímos a receita proposta por Miguel Ferrão (7º D):

Salada de tomate com ovos


Ingredientes:
─ 4 batatas médias (que não se desfaçam ao cozer).
─ 4 ovos.
─ 2 tomates para salada, grandes e carnudos.
─ 1 cebola grande.
─ 1 molho de beldroegas.
─ 12 azeitonas pretas para enfeitar.
─ 2 colheres de vinagre de ervas.
─ Pimenta preta acabada de moer.
─ 1/2 colherzinha de sal.
─ 2 colheres de óleo.
─ 2 colheres de cebolinho picado.



Modo de preparar:
1 – Lave as batatas sob água corrente, ponha-as numa caçarola, cubra--as de água e leve à ebulição. Quando a água ferver, baixe o lume, tape e deixe cozer durante 25 minutos.
2 – Com uma agulha, fure os ovos na extremidade redonda. Ponha a ferver meio litro de água, introduza os ovos na água a ferver com o auxílio de uma colher, baixe o lume e deixe-os a cozer durante 12 minutos até endurecerem.
3 – Lave e seque os tomates, corte-os às rodelas finas, eliminando a parte verde.
4 – Descasque a cebola e corte-a em anéis o mais fino possível. Lave as beldroegas, seque-as e corte-lhes os talos.
5 – Escorra as batatas já cozidas, refresque-as sob jorro de água fria e deixe-as arrefecer.
6 – Escorra os ovos, refresque-os em água fria e deixe arrefecer.
7 – Descasque as batatas com cuidado e corte-as às rodelas não muito grossas. Faça o mesmo com os ovos cozidos.
8 – Reparta as rodelas de batata, ovo e tomate alternando-as em forma de leque, numa travessa suficientemente grande. Espalhe por cima os anéis da cebola, as beldroegas e as azeitonas.
9 – Bata o vinagre com o sal e a pimenta, junte o óleo e o cebolinho picado e deite sobre a salada.
Tempo de preparação: 1 hora.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Livros


Título da Obra: Queimada Viva

Autora: Souad

Editora: Círculo de Leitores

Souad era uma rapariga que vivia numa pequena aldeia da Cisjordânia e era tratada como uma escrava pelos pais.

Ao apaixonar-se tudo mudou, pois com medo de perder o homem que amava Souad fica grávida pensando que era aquele o homem dos seus sonhos, já que toda a vida tinha sonhado em casar. O seu futuro ficou traçado após os seus pais terem descoberto a gravidez, algo intolerável antes do casamento. É então condenada a uma sentença de morte “encomendada” a Hussein, o seu cunhado, a quem cabe regá-la e puxar-lhe fogo de forma a por termo à sua vida, mas Souad consegue escapar ficando com queimaduras de terceiro grau em noventa por cento do seu corpo.

Souad, grávida e com dezassete anos, é então internada num hospital onde é deixada a morrer pelos médicos que nada fazem senão aumentar a sua agonia, tentando até sua mãe envenená-la. Pouco depois, Souad dá à luz um rapaz que lhe é tirado à nascença e que só quando conhece Jacqueline, uma voluntária europeia, volta a ter nos braços. Jacqueline promete tirá-la daquele lugar e levá-la para a Europa.

Já na Suíça, Souad é tratada e fica ao cuidado de uma família de acolhimento. Sem condições para criar o seu filho Marouan e com a intenção de começar uma nova vida, Souad autoriza o casal que os acolheu a adoptar Marouan quando este tinha cinco anos.

Posteriormente Souad arranja um emprego e volta a apaixonar-se, desta vez por Antonio. Com esta paixão, surge o tão desejado casamento entre os dois, do qual nascem Laetitia e Nadia.

Durante vinte anos apenas contacta com o filho três vezes, mas um dia, quando Jacqueline lhe propõe que conte a sua história num livro, Souad apercebe-se que tem que falar com Marouan, pois a sua vida também vai ser retratada neste livro. Combina então um encontro onde este conhece as suas duas irmãs e no qual Souad conta tudo o que ele nunca soube. No final Marouan escreve uma carta à mãe a dizer que desde que a reencontrou, começou uma nova vida.

Aconselharia este livro pois trata-se de uma excelente obra, que retrata a sociedade actual de países como a Cisjordânia, em que o crime de honra é praticado naturalmente e sem consequências para quem o pratica.

Ana Souto

Nº 2 – 11º CT1

terça-feira, 10 de março de 2009

Bibliotecas escolares - Atividades 2025/2026

 Antes do início do novo ano letivo, deixamos um apontamento relativo às atividades das Bibliotecas Escolares (ESSF), no ano letivo 2025-20...